Dia 24 vou para São Luís, mas nesse mesmo dia, é a data
que nós, simplórios “agregados” no alojamento, que “não temos” para onde ir,
teremos para sair do alojamento. Visto que o mesmo vai entrar em reforma, mesmo
de forma que não dê uma garantia de moradia de verdade pra quem vai ter que
esperar tal reforma. O que eles ofereceram foi um dinheiro a mais. Um número a
mais de “verde” no bolso que não é a certeza de um lugar pra morar. Só não foi
disso que vim falar, essa só foi uma breve descrição da situação corrente.
Eu tenho para onde ir, mas tudo o que eu não pagava
(transporte - ônibus interno que mesmo lotado em sua maioria, chega com
segurança e rapidez onde estudo; comida por 2 reais), terei que voltar a ter
como mais um gasto. Só não vim também pra falar disso.
Vim despedir-me do alojamento de forma pública (amigos,
família), porque acho engraçado não ser absolutamente nada como esperado. E se você pensa que não fui feliz
nesse lugar, na verdade está enganado, eu fui. E também não tenho pretensão
nenhuma de relatar minha vida, até
porque ninguém merece ler tanto “blá blá blá”, mas merecem saber de coisas
cotidianas que quase ninguém, que não mora lá, nunca vai saber.
Morar no alojamento significa: ter que substituir os
acontecimentos ruins ao humor, se não você não sobrevive. As piadas internas
são as melhores.
No alojamento tem dois horários em que é distribuído o
“café”, onde temos a opção de café com leite, sem leite, suco ou vitamina, pão
, lê-se: pão velho, e uma frutinha ou sobremesa, como um copinho do tamanho do
meu olho de gelatina. É lindo na teoria para quem não está lá ler que temos um
“café grátis!”, na verdade a gente sempre tem que tomar muito cuidado com o que
come lá. Ouço histórias que há 1 ano atrás eles davam Ovomaltine no café,
sanduíches gostosos, entre outras coisas, mas acho que tiveram que diminuir a
verba para nossos lanchinhos porque o “cara de terno” deve ter visto nunca
“sobrar” money para seu papel higiênico importado ser comprado (haha).
Toda semana havia uma assembleia por lá, um grupo de alunos
que organizam as ideias de todos os que compareciam às assembleias. E então
quando aparecia alguém não muito visto pelos corredores a piada interna tomava
partido: “Mas quem é você? Eu nunca te vi no café!”.
Ouvir passos de pessoas correndo se tornou quase fundo
musical dos nossos dias. Tem um ônibus que passa de 10 em 10 minutos na frente
de lá, que nos leva para dar uma voltinha no “imenso” fundão, sendo possível
descer na estação (onde passam alguns ônibus para saída do fundão), na Vila
Residencial (onde as pessoas costumam ir para fazer comprinhas básicas e
lanchar), ou mesmo descer em qualquer ponto para pegar qualquer ônibus.
Entretanto, no final de semana esses ônibus passam de meia em meia hora. E
temos também os ônibus internos que nos levam para lugares “fora” do fundão. E
todos eles têm horário certo para passar. Então sempre ouvimos pessoas correndo
desesperadamente, descendo aquelas escadas perigosas para não perderem o ônibus.
Existem dois ônibus, um que sai às 12, e outro às 12:15 que
nos levam para a Praia Vermelha, que é onde fica o Campus que tem alguns
cursos, é claro, Comunicação Social. O bandejão central vai até às 14 hrs. Só que
se você quiser pegar um desses dois ônibus você precisa sair as 11, até porque
11:40 existe uma fila gigantesca envolvendo o bandejão, que seria quase
impossível comer nesse tempo até o ônibus.Na semana em que o curso começa a
apertar, e você passa a dormir um pouco
mais tarde, ou quase nem dormir, e você tem que ir para a aula, mas se dormir
pouco não vai render o seu dia, e se você for comer, é quase impossível fazer
isso em meia hora, você precisa tomar um decisão muito importante (é besta, mas
é engraçada e faz parte da rotina sim): decidir entre deixar de pegar o ônibus
interno para almoçar mais tarde e se virar pegando o 485 que demora muito mais
tempo pra chegar e não garante nenhuma segurança, ou não almoçar para pegar
direto o ônibus interno e dar um jeito de comer qualquer coisa na faculdade
(visto que no outro Campus não tem bandejão!)? Eis a questão (haha).
Também há outro ponto (mais um) negativo, finais de semana o
restaurante universitário (bandejão) não funciona! Se você não tiver um forno,
ou fogão, ou uma geladeira pra guardar muita comida, desculpe, você vai morrer
de fome, ou vai ter que ir à Vila comer salgado, ou então pedir uma pizza. Oba!
Pelo menos os entregadores chegam até o alojamento! Então na maioria das vezes
eu pedia um lanche para entrega, porque eu era uma dessas que não tinha fogão.
Tudo bem que meu namorado, que também mora no alojamento, tem um fogão e de vez
em quando nos preparava um miojo (mas ele sabe cozinhar mesmo, só é ferrado que
nem eu, e não tem dinheiro pra comprar ingredientes pra fazer comida sempre).
Vocês que moram com seus irmãos, ou já dormiram por
muito tempo no quarto do irmão, sabe como era/é a convivência de vocês. Parece
que não há espaço pra nada, nem pra andar no quarto, nem fazer nada. Então, é
o caso de quem mora no alojamento, mesmo os que moram sozinhos, imagine de quem
divide o quarto. O último caso é o meu. A minha companheira de quarto e eu,
sofríamos. Eu sou a pessoa mais desastrada do mundo, daquelas que derruba tudo
por onde passa a mão, que tropeça nos cabos pelo chão, que machuca o pé na
porta, na parede, ou até bate a cabeça na mesa quando vai levantar (isso
aconteceu ontem). Agora imagina essa pessoa desastrada que sou eu, num lugar
pequeno e com mais uma pessoa. Cada movimento meu dentro do quarto já resultava
num prejuízo ou em ter que abaixar para pegar do chão o que caiu. Ontem eu
quebrei um copo só porque ela pediu para que eu fizesse algo para ela, quando
virei, a mão foi na mesma hora no copo que deu um trabalhão e me fez atrasar
mais ainda para a aula.
E quando está no fim do mês e está todo mundo quase sem
dinheiro, sem tempo e disposição? Vamos “interar” (não sei se conhecem essa
expressão, mas é juntar dinheiro, fazer vaquinha) para comprar aquelaa pizza
que vem com outra “grátis”. Pobres “alojados”.
Fora que o alojamento deu azar e muito no sentido de
acontecimentos ruins físicos comigo. Eu fiquei doente várias vezes (o que
dificilmente acontecia antes), emagreci (o que eu odeio que aconteça porque já
sou muito magra para isso). Tive que me privar da convivência com meus amigos
do curso de comunicação, não porque queria, mas porque sair daquele lugar (alojamento) é complicado.
Não é bacana sair no final de semana para qualquer lugar que seja, é sempre bom
sair em grupo, ou dia de semana mesmo (mas existe tempo para isso no meio da
semana?). Então a gente fica alí, isolado do mundo, enfiando a cara nos livros
apenas e se “comunicando” apenas no ambiente do nosso curso (refiro-me a mim e
meu namorado).
Mesmo a tudo isso, ter morado no alojamento particularmente
me ajudou em muitos sentidos. Eu já vi que a dificuldade em que eu passava na
minha casa na cidade natal não chega perto da que eu passei aqui. Entretanto,
além de todas os problemas que passei ali dentro, eu posso dizer que foi uma
grande experiência viver com minhas próprias pernas. É aquele clichê, foi
maravilhoso poder me desenvolver como ser humano.
Eu nunca morei em alojamento, e só posso falar da experiência que tive/tenho em ter saído da casa dos meus pais assim que completei a maioridade para casar. Parece história do passado, não é?
ResponderExcluirMas não é. Porque estou feliz e isso basta.
Mas morar com outras pessoas, desconhecidas em sua maioria, é uma experiência e tanto. Maravilha você ter passado por isso, recolhendo imagens interessantes em formato de momentos. Nem todo mundo é tão apto assim.
Vá a luta.
Abraços.
Nossa, deve ter sido um experiência interessante. Eu olhei a foto...e, caramba, é realmente pequeno. É um quarto minúsculo. :(
ResponderExcluir»» Emilie Escreve