Não compreendia, não queria nem compreender, já julgava ser o pior ano da minha vida, e tinha certeza que havia nascido para receber choques de realidade como esses. Até que comecei a reviver, aos poucos mesmo, resolvi fazer tudo de novo, estudar de novo, tentar outros romances oriundos do acaso. Então eis que no terceiro ano dessa sequência depois do término do ensino médio, aconteceram muitas coisas, uma atrás da outra, a tão sonhada aprovação não aconteceu da forma que esperei, novamente, passei na tal lista de espera, e não era o curso que queria, nem sabia porque tinha colocado aquele curso. Até fui fazer a matrícula, mas tudo aconteceu de forma que isso não tivesse êxito, hoje digo: que bom. Comecei a por em prática meus dotes criativos, minhas poucas técnicas editoriais eu comecei a desenvolvê-las. Editei vídeos para uns amigos que mantinham um site de entretenimento, estudei o início da criação de sites, ajudei duas cantoras amigas a desenvolverem seu site, dei a chance de namorar outra vez, até um estágio de um mês eu consegui, eu cheguei a viver nesse terceiro ano, porém, ainda não havia chegado no alvo certo.
Foi aí que ganhei de presente, simplesmente... ter passado na primeira chamada para um curso bom (não o que eu pretendia a priori, mas sabia que era um curso encantador). Comecei a cursá-lo, e estava gostando dele, mas aí abriram as inscrições do sisu, e eu sem pensar muito fiz. Imaginei qualquer universidade do Rio de Janeiro, coloquei UFRJ, e um curso que eu sempre desejei. ESSA É A PARTE QUE EU MAIS GOSTO DE TODA A HISTÓRIA, eu coloquei na ufrj sem pretensão nenhuma, pode acreditar! Estava bem, se eu passasse para outro curso na UFMA, estaria tudo bem. E tranquilamente, fui estudar pro seminário que precisava apresentar, organizar tudo, e no mesmo dia da apresentação, entrei na internet e vi que a posição estava muito boa nas vagas. Tomei um susto, mas continuei a - não pensar muito, mas já imaginando a possibilidade de pensar na possibilidade de ir - (haha). E quando saiu o resultado, eu decidi. Assim, do nada. Largar o curso, deixar a família longe, os amigos, a cidade tão amada, a vida que possuía, tudo, por um sonho. Um sonho? O que vale fazer por um sonho? Vale abandonar tudo o que você imagina ser sua vida de verdade para viver algo que pode ser ou não a felicidade? Aí eu lembro de quando eu não passei... se eu tivesse passado no início para algum curso na ufma, hoje talvez estaria cursando e quase terminando. Com certeza estaria tudo certo pra concluir e me formar. Por que eu faria a escolha de ir para outro estado se eu já estivesse com essa certeza? Eu não ia nem presumir isso! E quando acabasse o curso, será que minha vida seria realmente da forma como esperei que fosse? Pois então, não passei antes, passei hoje, na indecisão que poderia me passar pela cabeça, resolvi escolher a certeza de não ter certeza
alguma.
Cá estou eu, decidida a ir para o RJ, estudar o que tanto sonhei, e quem sabe conquistar tudo o que eu mereço conquistar. Se eu não for, posteriormente se der tudo errado em minha vida, ou acontecer de um jeito não tão agradável, pensarei: "Se eu tivesse ido, tudo poderia ser diferente". Para evitar uma conclusão dessas no futuro, prefiro ir. Ver o que acontece, e se não der certo por lá, é mais fácil voltar e tentar novamente por aqui, porque a oportunidade de ir pra lá é única, e voltar pra minha cidade, perto dos amigos e da família é algo que mesmo se eu for, continuarão aqui.
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