sábado, 14 de setembro de 2013

Essa é a pior parte

Nunca sei quando eu vou conseguir escrever, eu nunca preparo, nem espero, nem aguardo. Por isso é que o tempo entre cada texto postado até assusta. Parece até que eu deixei o blog no lugar dele, sossegado do mundo como ele mesmo é. Então eu, quando estou desassossegada do mundo, tremo todinha e sinto vontade de escrever, e finalmente posso sossegar dele.
Hoje pouco posso falar sobre qualquer coisa, porque eu me sinto cada vez menos preparada para isso, deveria ser o oposto, mas não é. Antes eu não tinha medo de falar, eu só falava, só escrevia, só descrevia sem pensar muito na forma e no tom. O que de fato eu vim fazer aqui? Eu já até nem lembrava mais, esqueci nesse meio tempo de introdução.
Há duas semanas atrás eu estava feliz, a diferença é que a felicidade estava de tão fácil alcance que às vezes eu a deixava de canto. Sensação parecida quando nós temos água em abundância nos litros na geladeira e nem sequer bebemos um copo, e quando temos sede e vamos beber, os litros estão vazios (que exemplo mais tosco, mas é assim). Ela estava bem alí. E não digo que não aproveitava essa tal felicidade, mas era tão normal que virou rotina. Hoje, estou precisando buscá-la, procurá-la, se puder até inventá-la. Está difícil demais aceitar essa mudança.
Mudança que aconteceu de um jeito tão incerto, nunca vi na vida. E onde está minha casa, minha cama, meu quarto, meu violão, minhas coisas nesse momento tão difícil? Estão a quase 3000 mil km de distância. Essa é a pior parte. No momento em que você poderia pensar: "Ah, a vida não é tão ruim assim, pelo menos minha família não pode desistir de mim, mesmo que não gostem de mim, a família sempre estará alí", você  não pode, justamente porque sua família não está aqui do lado. Repito: essa é a pior parte.
Incerteza de uma melhora e terei então que, ou conviver com a dor, ou começar a trabalhar incessantemente para destruí-la de dentro de mim. Claro que a segunda opção é válida, mas ela precisa de um motivo para deixar de existir. Essa dor só existe porque ela está junto com o amor, aquele que você sabe que existe de verdade. Então se for pra destruir um, a dor, o outro também terá que ser destruído. Essa é a pior parte dois.

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